sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Ligação ...


"...estamos tão ligados, mas tão ligados...nunca deixarei de te procurar, de te encontrar, de te descobrir...Não sei se és tu que me alimentas ou se é ao contrário...sei que me sinto ligado a ti por um cordão quase umbilical... não serei capaz de o cortar nunca... e se a opção for entre cortar e sobreviver, ou deixar que seque, que morra e que eu morra com ele, então eu esperarei até que ele seque..."

Autor: Desconhecido

Gosto ....


"Gosto do teu ar, do teu olhar, da tua forma de andar, das tuas mãos guardadas nas minhas, gosto de te cheirar, de te sentir, de me calar para te ouvir, de me deitar ao teu lado para dormir e depois acordar, depois espreguiçar-me e levantar, e rir e dançar e cantar e cada dia outra vez começar um novo dia a sonhar.
Gosto da tua boca certa e do teu cabelo farto, da tua voz cantada e aconchegante, dos teus beijos longos, dos teus abraços infinitos, das tuas piadas e risadas, dos teus braços à volta do meu, as duas cabeças encostadas, os ombros em paralelo, as pernas dobradas e os pés junto, gosto do teu hálito fresco e do teu sorriso aberto, da tua cabeça arejada e do teu olhar mais secreto, gosto de te ver junto ao meu peito a contar as batidas do meu coração, de sentir que estás sempre perto e sempre estarás, que vives cá dentro e mesmo na ausência, quando só te vejo com os olhos fechados e as mãos juntas em concha, sei que és perfeito, sei que voltarás, sei que estás quase a chegar, que cada minuto que passa é só mais uma etapa na minha espera, por isso espero calada e feliz, e nas letras que transformo em palavras imagino a cor e o sabor, deste amor, deixo-me levar, crescem-me asas e de repente desato a voar, a voar..."

In: "As Crónicas de Margarida Rebelo Pinto"

Sinto-me ....


"Sinto-me virgem de novo...
quando te marco, quando te olho,
quando em cada segundo te amo,
te toco...
Sinto-me virgem,
ao fazer de ti o princípio de uma vida,
ao ser o teu pijama numa noite fria,
ao querer ficar-te na pele colado,
até ao nascer do dia...
Sinto-me virgem,
quando tudo em mim é tão novo,
é tão grande e tão torto,
quando ao teu lado me movo
para longe de um passado quase morto!

Sinto-me virgem...
quando te beijo, quando te desejo,
quando te abraço, quando em ti vejo,
o medo que já tinha esquecido,
a indecisão de um dia há tanto ido,
esta vontade de nascer de novo,
este desejo de por ti flor,
pela primeira vez,
ser possuído!"

Autor: Desconhecido

Feliz do homem que te aconchegar no seu colo como uma guitarra, que te afinar os sentidos nos tons perfeitos, que navegar pelos teus braços com dedos firmes, apertados...que soltar de ti os gemidos mais bonitos do teu reportório...
Feliz do homem que te olhar quando de ti só vier silêncio, feliz daquele que se unir a ti com a voz, que unir contigo o mais pequeno sentimento...

In: Li algures e achei perfeito :)

Corações....


"Há muitos tipos de corações. Há corações pequenos e tímidos, há corações grandes e abertos, há corações onde é preciso meter requerimentos de papel azul e selo de garantia para abrirem as portas e outros cheios de janelas, frescos e arejados. Há corações com trancas, segredos e sistema de alarme que são como cofres de bancos. Corações sombrios e desconfiados, com fechaduras secretas e portas falsas. Corações que parecem simples, mas quando se entra lá dentro, espera-nos o mais perverso dos labirintos. E há corações que são como jardins públicos, onde pessoas de todas as idades podem entrar e descansar. Há corações que são como casas antigas, cheios de mistérios e fantasmas, com jardins secretos e sótãos poeirentos, carregados de memórias e recordações e há corações simples e fáceis de conhecer, descontraídos e leves, sempre em férias como tendas de campismo. Há corações viajantes, temerários e corajosos, como barcos à vela que nos parecem bonitos ao longe, mas que nos deixam sempre na boca o sabor amargo de nunca os conseguirmos abarcar... Há corações missionários, despojados e enormes. Há corações que são paquetes de luxo, onde o requinte é a palavra-chave para baterem... Há corações que são como borboletas e voam de um lado para o outro sem parar, numa pressa ansiosa de viver tudo antes que a vida se acabe.
Há corações que são como elefantes do zoo, muito grandes, pacíficos e passivos que aceitam viver limitados pelos outros e que até tocam o sino se os tratarmos bem e lhes dermos mimos e corações aventureiros, sempre prontos para partir em difíceis expedições e se ultrapassarem a si mesmos. Há corações rebeldes e selvagens que não suportam laços nem correntes, corações que correm tão depressa como chitas e matam como leoas, e depois há corações gnus, que sabem que vão ser caçados mas não fogem ao seu destino...
Há corações que são como rosas, caprichosas e cheios de espinhos e outros que são campainhas, simplórios e carentes sempre a chamar por afecto. Há corações que são como girassóis, rodando as suas paixões ao sabor do brilho e da glória e corações como batata-doce, que só crescem e se alimentam se estiverem bem guardados e escondidos debaixo da terra.
Há corações que são como pianos, altivos e majestosos onde só tocam os que possuem a arte de bem seduzir. E corações como harpas, onde uma simples festa provoca uma sinfonia.
Há corações incondicionais que vivem tão maravilhados em descobrir a grandeza de outros corações que às vezes se esquecem de si próprios... Há corações estrategas, que batem ao ritmo de esquemas e planos, corações transgressores que vivem para amar clandestinamente e só sabem desejar o proibido e corações conservadores, que só se entregam quando tudo é de acordo com os seus padrões e valores.
Há corações a motor, que vivem só para o trabalho e corações poetas só se alimentam de sonhos e ilusões. Há corações teatrais, para quem a vida é uma comédia ou uma tragédia e corações cinéfilos que registam a beleza de cada momento em frames de paixão.
Há corações duros como aço, sem arritmias, onde nada risca e faz mossa e corações de plasticina que se moldam às formas dos corações que amam. Há corações de papel, bonitos e frágeis que se amachucam facilmente e desbotam à primeira lágrima, há corações de vidro que quando se estilhaçam nunca mais se recompõem e corações de porcelana que depois de se partirem ainda sabem colar os destroços e começar de novo.
Há corações orientais, espiritualizados e serenos e corações ocidentais hedonistas e ambiciosos, corações britânicos onde tudo é meticulosamente arrumado segundo costumes e convenções, latinos que batem ao som da paixão e da loucura.
Há corações de uma só porta que são como grandes casas de família e outros de duas portas, uma para a sociedade e outra para a intimidade. Há corações que são como conventos, silenciosos e enclausurados e outros que são como hotéis, onde se paga o amor sem amor, escandalosos e promiscuos. Há corações parasitas, que vivem do afecto dos outros sem nada dar e corações dadores que só são felizes na entrega.
Mas há ainda uma ou outra espécie de corações, os corações hospedeiros que sabem receber e fazem sentir os outros corações como se estivessem em casa, que dão e aceitam amor sem se fixarem, que tratam cada passageiro como se fosse o último, enquanto procuram o coração gémeo, sempre na esperança, secreta e nunca perdida de um dia deixarem de viajar e sossegarem para a vida."

In: "Crónicas de Margarida Rebelo Pinto"

domingo, 24 de outubro de 2010

Os cinco sentidos



São belas - bem o sei, essas estrelas,
Mil cores - divinais têm essas flores;
Mas eu não tenho, amor, olhos para elas:
Em toda a natureza
Não vejo outra beleza
Senão a ti - a ti!

Divina - ai! sim, será a voz que afina
Saudosa - na ramagem densa, umbrosa.
Será: mas eu do rouxinol que trina
Não oiço a melodia,
Nem sinto outra harmonia
Senão a ti - a ti!

Respira - n'aura que entre as flores gira,
Celeste - incenso de perfume agreste.
Sei... não sinto: a minha alma não aspira,
Não percebe, não toma
Senão o doce aroma
Que vem de ti - de ti!

Formosos - são os pomos saborosos,
É um mimo - de néctar o racimo:
E eu tenho fome e sede... sequiosos,
Famintos meus desejos
Estão... mas é de beijos
É só de ti - de ti!

Macia - deve a relva luzidia
Do leito - ser por certo em que me deito
Mas quem, ao pé de ti, quem poderia
Sentir outras carícias,
Tocar noutras delícias
Senão em ti - em ti!

A ti! ai, a ti só os meus sentidos,
Todos num confundidos,
Sentem, ouvem, respiram;
Em ti, por ti deliram.
Em ti a minha sorte,
A minha vida em ti;
E, quando venha a morte,
Será morrer por ti.

Autor: Almeida Garrett

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Amas-me ? Sim ou Não ?



Amas-me? Sim ou não?
Eu escrevo-te estas palavras
para que saibas que te amo mais
que a minha vida...
Amas-me? Sim ou não?
Porque eu continuo a ser
escrava deste amor...
Amas-me? Sim ou não?
O meu coração continua a
bater por ti...
Amas-me? Sim ou não?
Sabes o quanto dói o
teu silêncio?...
Sabes as vezes que olho
para o telefone á espera
dum sinal teu?...
Amas-me? Sim ou não?
Porque eu amo e nada
mudará o que sinto por ti...
Amas-me? Sim ou não?
Preciso do teu toque, do teu
abraço...
Amas-me? Sim ou não?
Eu amo demais e não precisas
de mudar em nada, apenas te
quero do jeito que és...
Amas-me? Sim ou não?
Pega um pouco do teu tempo
e olha nos meus olhos,
sente o meu coração e verás
o quanto te amo e sentirás
a dor...a dor que sinto por
estar sem ti...
Amas-me? Sim ou não?
Eu vejo-me olhando o tempo,
os dias, as horas
passarem sem ti...
Amas-me? Sim ou não?
Apenas escrevo estas palavras
para que saibas que habitas
em mim e que és o amor da
minha vida...

In: http://www.luso-poemas.net/